A zika nos lembra que a malária não é a única ameaça transmitida por vetores


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March 7, 2016

A zika nos lembra que a malária não é a única ameaça transmitida por vetores

Apesar dos grandes avanços na luta contra a malária, devemos permanecer vigilantes contra doenças transmitidas por mosquitos menos conhecidas, mantendo uma ação preventiva antes que seja muito tarde 

A zika tem dominado as manchetes globais nas últimas semanas, com milhares de casos registrados em toda a América Central e do Sul e infecções aparecendo na Europa, nos Estados Unidos e em locais mais distantes quase todos os dias.

Isolada pela primeira vez na floresta de Zika, na Uganda, em 1947, a doença permaneceu uma preocupação menor por mais de meio século. Com casos limitados à faixa equatorial entre a África e a Ásia e sintomas considerados leves, a zika foi ofuscada pela ameaça muito maior da malária e diversos outros vírus que dominaram as manchetes. 

O que chocou o mundo é a rapidez com que a zika se espalhou em apenas dois anos, trazendo um risco não detectado anteriormente a mulheres grávidas com sua possível ligação com a microcefalia em fetos. O Brasil tem sido até agora o mais afetado, com relatos de cerca de 4.000 bebês nascidos com a doença neurológica desde outubro, em comparação com os menos de 150 casos no ano anterior[1], um aumento impressionante, mesmo considerando-se as recentemente mudanças nas diretrizes para o diagnóstico de casos de microcefalia.

Isso tem causado alarme para aqueles que viajam para áreas atingidas pela zika, com as preocupações voltadas especialmente para os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, que vão receber no Brasil milhares de atletas e espectadores de todos os cantos do mundo. 

Em outros lugares, pesquisadores descobriram que o vírus pode ser transmitido pelo contato sexual[2] e possivelmente até mesmo por um beijo, por causa de traços do vírus presentes na saliva[3]. Isso cria um temor ainda maior em países geralmente não afetados por doenças transmitidas por mosquitos, já que poderia aumentar ainda mais sua disseminação no mundo todo.

Com pouca compreensão da doença e nenhuma vacina ainda disponível, os pesquisadores estão lutando para alcançar a pandemia, em uma corrida para reduzir sua infecção e transmissão e acalmar as preocupações do público. Isso pode levar algum tempo. A Organização Mundial de Saúde afirmou que as possíveis vacinas contra a zika estão a pelo menos 18 meses dos testes em grande escala[4], ao meso tempo em que a líder da OMS, Margaret Chan, alertou que devemos esperar que a situação “piore antes de melhorar” durante sua visita recente ao Brasil[5].

O Ministério da Saúde deve ser aplaudido por sua rápida mobilização de recursos por meio da campanha ZikaZero, que visa educar a população para minimizar a ameaça de mosquitos. A OMS também respondeu rapidamente, com representantes viajando ao Brasil para se reunir com a presidente Dilma Rousseff e outros altos funcionários e visitando o epicentro do vírus em Recife para avaliar a situação. As duas organizações incorporaram a abordagem flexível e dinâmica necessária para superar doenças transmitidas por mosquito ao redor do mundo. 

Mas temos de nos perguntar por que a zika pegou as autoridades de saúde pública e a comunidade de controle de vetores tão de surpresa, com pouco conhecimento sobre sua transmissão e seus efeitos e sem tratamentos ou potenciais vacinas disponíveis. Sabemos que os vírus podem se transformar e evoluir com o tempo, tornando-se uma ameaça maior do que se pensava anteriormente. Precisamos, portanto, levar essas doenças mais a sério, investindo mais tempo e dinheiro para compreendê-las. Isso vai ajudar a garantir que possamos ser proativos e não reativos se a ameaça aumentar no futuro.

Por enquanto, na ausência de uma solução permanente para a zika, as melhores formas de prevenir sua infecção e transmissão são: reduzir a prevalência de mosquitos em áreas povoadas e minimizar as picadas de mosquito. Para tanto, a educação das populações locais é crucial para que elas saibam como evitar água parada e compreendam o papel das intervenções tradicionais de controle de vetores, como mosquiteiros, aerossóis inseticidas e larvicidas. 

As organizações de saúde consideram os mosquiteiros impregnados de longa duração (MILD) como a maneira mais eficaz de prevenir vírus transmitidos por mosquitos em áreas endêmicas[6], simplesmente evitando mordidas e matando os mosquitos. Como o vírus da zika é transmitido pelo mosquito aedes, que pica durante o dia, os mosquiteiros de longa duração são particularmente úteis para as pessoas que descansam ou dormem durante o dia, como mulheres grávidas ou crianças. Enquanto isso, aerossóis inseticidas e larvicidas ajudam a controlar as populações de vetores, matando os insetos adultos ou prevenindo o desenvolvimento das larvas. 

A comunidade internacional de controle de vetores deve se orgulhar, com razão, dos progressos realizados na luta contra a malária, mas nunca devemos esquecer que as doenças transmitidas por mosquitos menos conhecidas também representam uma ameaça real e diferente, mas ainda assim contínua. A tecnologia disponível atualmente deve estar acessível a pessoas afetadas por qualquer uma das centenas de doenças transmitidas por mosquitos ao redor do mundo. É nosso trabalho, como parte da comunidade de prevenção, educar e sensibilizar essas populações, dando-lhes o poder de proteger sua própria saúde e prevenir a propagação da infecção. 

Para saber mais sobre a zika e de que forma os mosquiteiros, aerossóis inseticidas e larvicidas podem ajudar a conter a propagação dessa e de outras doenças transmitidas por mosquitos, visite:

Fiche d'informations OMS Virus Zika 

OMS Q&R 

 Site Web Sumivector 

[1]http://www.theguardian.com/world/2016/jan/26/brazil-zika-virus-health-mi...
[2]http://www.theguardian.com/world/2016/feb/23/zika-virus-sexually-transmi...
[3]http://uk.reuters.com/article/uk-health-zika-idUKKCN0VC1YG
[4]http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/zika/12154833/Trials-for-Zika-...
[5]http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/zika/12172687/Zika-crisis-to-g...
[6]http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs094/en/